Ilustradores comemoram boa fase do mercado.
Nilson Falcão é diretor de arte da editora
Abrindo Página desde fevereiro deste ano.
Cursar Artes ou Design Gráfico? Como
desenvolver um estilo próprio? Quanto cobrar pelos freelas? Quem já se
aventurou pelo mundo da ilustração certamente já teve muitas dúvidas sobre como
entrar de vez nesse mercado. Afinal, a área de atuação é ampla e um ilustrador
pode trabalhar em projetos editoriais para livros e publicações diversas,
utilizando técnicas e estilos variados.
Lis Del Barco, de 28 anos, já é formada em Design Gráfico há
alguns anos, mas só recentemente descobriu o desejo de trabalhar com
ilustração. “Sempre desenhei de forma despretensiosa, como um hobby”. Para Lis,
a maior dificuldade para um profissional em início de carreira é encontrar uma
linguagem marcante e um estilo próprio. Para aperfeiçoar seu desenho, ela optou
por um curso livre sobre o assunto, já que já tinha tido aulas de desenho e
técnicas de pintura na faculdade. “Gosto de desenhar com lápis de cor, giz,
tinta guache, aquarela…tudo no papel”, conta.
Já o ilustrador André Tachibana, de 30 anos, conta que começou a
ilustrar ainda na adolescência, quando criava roteiros que envolviam os amigos
em histórias de ficção e fantasia. “Eu me surpreendi com a repercussão que essa
brincadeira gerou e percebi que poderia vender cópias das revistinhas e ganhar
algum dinheiro”. Embora seja autodidata, André cursou então Desenho na Escola
de Belas Artes, Artes na Faculdade de Artes do Paraná e agora faz Design
Gráfico no Unicuritiba. Assim como Lis, ele concorda que a questão do estilo é
a que mais pesa para quem está em início de carreira. “Conseguir uma marca
pessoal nos traços é determinante para que o trabalho seja reconhecido como
único. No entanto, são raras as vezes que podemos ser autorais em uma agência
ou escritório de design, pois o mercado exige versatilidade”, explica.
André hoje trabalha como ilustrador no grupo NZN, empresa
que administra os sites como o Baixaki e Tecmundo. Na hora de cobrar pelos
trabalhos como freelancer, que acontecem com frequência, ele considera a
complexidade do trabalho e o tempo que investirá nele. “A negociação com o
cliente determina quantas horas me dedicarei ao projeto”, ensina.
Como chegar lá?
Lucilia Alencastro já atua há 15 anos como ilustradora,
trabalhando principalmente com livros infantis e lecionando em cursos
universitários. Ela explica que, além das faculdades de artes visuais e de
design, existem vários cursos livres para quem quer seguir carreira na
ilustração. “Já existem também algumas tentativas em formatar cursos de
graduação tecnológica em ilustração, mas as dificuldades ainda são grandes”. O
empecilho na criação desses cursos, segundo Lucilia, é um reflexo da não
regulamentação do design como profissão. “A ilustração como campo específico de
estudo ainda terá muito trabalho na definição de currículos e regulamentação
própria”, afirma.
Pedimos a ela algumas dicas para quem está em início de carreira:
- Ser curioso em relação às mais
diversas áreas e gostar de estudar e de ler;
- É importante ter interesse por artes
visuais, mas não é imprescindível “saber desenhar”, embora isso ajude muito;
- Desenvolver, além da aprendizagem de técnicas, o estudo de comunicação
e linguagens que traduzam, resumam ou mesmo adicionem significados aos textos
que serão acompanhados das ilustrações;
- Ter um portfólio de
trabalhos e um cartão de visitas;
- Definir quais as áreas em que deseja
atuar e buscar o perfil das empresas que têm afinidades com seu trabalho;
- Nunca aceitar convites para trabalhar
de graça ou por preços irrisórios, o que desqualifica o profissional e a
profissão;
- Alguns livros como “Viver de
Design”, do Gilberto Strunck e “Manual do Freela: Quanto custa o
meu design” de André Beltrão, dão orientações interessantes para
designers e que podem ser utilizadas também por ilustradores;
A ABIPRO (Associação Brasileira de Ilustradores Profissionais)
disponibiliza o “Guia do ilustrador”, do Ricardo Antunes, que
dá orientações sobre a profissão.
Recentemente a ADEGRAF (Associação de
Designers Gráficos do Distrito Federal) incluiu em sua tabela sugestões de valores
para trabalhos de ilustração. Mesmo que nem sempre seja possível praticar
os preços sugeridos, já é uma referência a ser apresentada numa negociação com
o cliente.

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